Palestra

I. Deus quer me conhecer?


Bem no centro da fé cristã está a crença de que há um Deus, que se revelou na Pessoa da Jesus Cristo e através das páginas da Bíblia.

Na verdade, a Bíblia registra a grande narrativa de Deus da história, desde o seu início, no Gênesis, até a sua consumação, no Apocalipse.

Trata-se de uma narrativa que pode ser dividida em três movimentos amplos: O primeiro movimento se encontra nos dois primeiros capítulos do Gênesis, com a criação de todas as coisas, que Deus as pronunciou como sendo “muito bom.”

O segundo movimento ocorre em Gênesis 3:1-7, com a queda da humanidade, um evento causado pela rebelião de Adão e Eva, que agiram contra o comando de Deus de não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, resultando na separação da capacidade da humanidade de se relacionar com Deus.

O terceiro movimento, a redenção, inclui todos os eventos que seguiram à rebelião de Adão e Eva até o fim dos tempos (Gênesis 3:8 – Apocalipse 22).

É dentro do escopo desse movimento final que a Bíblia registra o plano de Deus para redimir a humanidade de volta a si mesma. A começar pelas promessas de levantar aquele Ser único que iria derrotar o pecado (Gênesis 3:15) e abençoar todas as nações (Gênesis 12), Deus trabalha através da nação de Israel e prediz o nascimento de Jesus, que, em última instância, ofereceria a redenção para todos os povos.

Através do sacrifício de Jesus, Deus possibilitou que todos os povos fossem restaurados para um relacionamento saudável com Ele. Jesus veio ao mundo para nos dar nova vida, oferecendo a Sua como sacrifício pelos nossos pecados. Ele nos salvou do poder destrutivo do pecado, permitindo que fôssemos transformados pelo Espírito Santo naqueles seres que Ele pretendia que fôssemos. Esse processo de transformação tornou-se acessível a qualquer um que aceitar o presente divino da salvação e for nascido de novo para uma nova vida.

João 1:12 ensina que: “[...] a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus.” Ao acreditar e confiar que Jesus morreu pelos nossos pecados, somos salvos e recebemos a promessa da vida eterna.

É importante entender que, embora a família e as práticas de filiação a uma igreja, tais como o tornar-se membro e o batismo, sejam partes importantes da vida cristã, essas experiências, por si só, não fazem de uma pessoa um cristão.

Há séculos, um líder religioso chamado Nicodemos, abordou Jesus para encontrar respostas às suas próprias questões espirituais.

Nicodemos disse: “Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele” (João 3:2). A resposta de Jesus parece supreendentemente pouco relacionada com os comentários de Nicodemos.

Ele respondeu: “Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (João 3:2).

A conversa deles enfatizou o contraste entre a vida física e a espiritual. No Jardim do Éden, quando Deus começou a comungar com Adão e Eva pela viração do dia, eles ainda não haviam desobedecido a Deus. Eles estavam em um estado de completa inocência.

Mas depois que eles desobedeceram a Deus, comendo do fruto proibido, deu-se uma mudança fundamental. Uma grande barreira à comunhão entre Deus e o homem avariou o seu relacionamento. Quando eles ouviram Deus caminhar pelo jardim, como Ele havia feito no passado, eles mostraram uma consciência de sua desobediência, ao se esconder (Gênesis 3:8-10)

O pecado criou um abismo intransponível onde outrora havia uma união íntima entre Deus e o homem. A mesma alienação persistiu desde aquele dia fatídico. Todos nós fomos feitos para a comunhão com o nosso Criador, mas escolhemos andar pelos nossos próprios caminhos.

A Bíblia diz que: “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho” (Is 53:6).

O resultado trágico dessa rebelião contra Deus foi a morte espiritual. Quando Adão comeu do fruto proibido, ele morreu espiritualmente. Embora ele continuasse a viver fisicamente por muitos anos, sua capacidade de ter comunhão com Deus foi lesada em decorrência do pecado.

Eis porque as palavras de Jesus a Nicodemos eram novas tão boas. Jesus lhe disse que ninguém poderia reavivar uma pessoa por dentro. Só o Espírito Santo de Deus pode entrar em nós e restaurar nossa comunhão com Deus. Mas como é que isso acontece?

Em seu Pensées, Blaise Pascal, o grande matemático e cristão profundamente comprometido, descreveu o vazio do homem interior da seguinte forma:

O que mais esse desejo e esse desamparo proclama, se não, que houve outrora uma felicidade verdadeira no homem, da qual tudo o que resta agora é um molde e um vestígio vazios?

Ele procura, em vão, preenchê-los com tudo a seu redor, buscando nas coisas que não estão lá a ajuda que ele não consegue achar naquelas que estão, ainda que nenhuma possa ajudar, já que esse abismo infinito só pode ser preenchido por um objeto infinito, imutável; em outras palavras, pelo próprio Deus (nº 425).

O Senhor está ávido para perdoar o nosso pecado, restaurar nossa comunhão consigo mesmo, e nos dar o dom da vida eterna. Mas há algumas exigências bíblicas para isso.

Primeiro, temos que admitir que somos pecadores e não podemos nos salvar a nós mesmos. A Bíblia diz: “[...] pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3:23).

Em segundo lugar, temos que reconhecer a seriedade do nosso pecado. Nossa tendência humana é de racionalizar e nos classificar numa escala, comparando-nos com os outros. Mas Deus impõe um padrão de perfeição, segundo o qual nenhum de nós O agrada, baseado no esforço próprio. A Bíblia diz: “[...] todas as nossas justiças, [são] como trapo da imundícia” (Is 64:6).

“[...] porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6.23). As boas novas são que Cristo sofreu as conseqüências do nosso pecado, tornando possível termos comunhão eterna com Ele.

O apóstolo Paulo escreveu: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5:8). Isso significa que Jesus Cristo, que nunca fez nada de errado, deu a Sua própria vida na cruz, de modo que a penalidade do pecado pudesse ter sido paga e a Sua justiça, aplicada a nós (2 Coríntios 5:21).

Terceiro, não é suficiente apenas saber que Cristo morreu por nós. Necessitamos agir em cima desse conhecimento, aceitando-O como nosso Salvador e Senhor. A Bíblia diz: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome” (Jo 1.12).

Você está pronto para tomar essa decisão? Em caso positivo, você pode se voltar para Jesus e compartilhar o seu desejo de receber o perdão dos pecados e começar um relacionamento eterno com Ele. Você poderia orar dessa forma:

Jesus, eu admito que sou pecador. Obrigado(a) por morrer na cruz para pagar a penalidade do meu pecado. Eu Te recebo agora como meu Salvador e Senhor. Assuma o controle da minha vida e torne-me o tipo de pessoa que Tu queres que eu seja. Amém.

Você fez essa oração? Se fez, pode ter a garantia de que Cristo está na sua vida. João escreveu: “Estas coisas vos escrevi, a fim de saberdes que tendes a vida eterna, a vós outros que credes em o nome do Filho de Deus” (1Jo 5:13).

Esse versículo de garantia está perto do fim de uma carta escrita pelo apóstolo João. Esse livro do novo testamento, maravilhoso esboça a evidência do crescimento que pode ser vista nas vidas dos crentes, quando a sua fé em Cristo é genuína. Ao longo do tempo, eles experimentam uma alegria sobrenatural de pertencer a Cristo e à sua família redimida (1 João 1:1-4). Por dentro, eles sentem um desejo de andar na verdade da Palavra de Deus, na medida em que ela ilumina o seu caminho (1 João 1:5 – 2:29). Um novo espírito familiar os atrai para a comunhão com outros crentes (1 João capítulos 3 – 4).

Finalmente, a sua própria experiência é caracterizada pela confiança e o andar no relacionamento com Deus (1 João 5).

II. O que significa ser nascido de novo?

Experimentar a salvação, entretanto, não deve ser visto como um evento que ocorre como um ponto isolado no tempo, mas como um ponto de partida. Uma vez que a salvação passou a fazer parte das nossas vidas, somos chamados a crescer nessa salvação, pela qual nos tornamos mais semelhantes a Cristo.

Por exemplo, da mesma forma que os bebês não foram feitos para permanecerem pequenos e desamparados, nós também não devemos permanecer no estado de carência e imaturidade, como novos crentes na família de Deus.

Lembre-se de quando você tinha dez anos de idade. Você se lembra o quanto desejava ser “adulto?” O quanto você queria estar em condições de ter a carta de motorista ou fazer as outras coisas que jouens maiores podiam fazer? Esse desejo é o que também sentimos às vezes, do ponto de vista espiritual. Não queremos permanecer crianças espirituais. Queremos crescer. Na medida em que aprendemos a conhecer e agradar ao Pai, gostaríamos de ter as responsabilidades de um membro da família. E da mesma forma que o crescimento físico exige alimentação, exercício, aprendizado e tempo, nosso desenvolvimento como cristãos também é um processo.

O processo de se tornar cada vez mais parecido com Jesus em suas atitudes, características, pensamentos e ações é chamado de formação espiritual.

A formação espiritual, também conhecida como crescimento espiritual ou discipulado, não é um evento isolado na vida dos crentes, mas está relacionado a todos os aspectos da vida cotidiana.

Por exemplo, nossa saúde, relacionamentos familiaris, finanças, profissão, questões sociais e morte são todos aspectos da vida que devem ser afetados pela nossa identidade espiritual em Cristo.

A vida espiritual deve transbordar e afetar tudo o que fazemos. Acrescenta-se a isso que, como crentes, nosso andar espiritual com Deus faz parte da grande narrativa da Bíblia, já que somos os Seus representantes, ou embaixadores, nesse ponto do tempo, para servir de testemunhas do poder da salvação para transformar vidas

É importante entender que as Lições de que esse curso se compõe são mais do que meros exercícios acadêmicos. Certamente você poderá cumprir todos os objetivos desse curso e aprender mais sobre a vida espiritual, mas sem atingir o seu propósito principal, que é desenvolver-se como seguidor de Deus e crescer no seu relacionamento com Ele (1 João 1:3). Afinal, não é suficiente simplesmente acreditar em Jesus; somos chamados para muito mais. Somos chamados para viver, agir e pensar como Jesus.

III. Como começar a crescer em Cristo?

Todo um mundo novo se abre diante de nós, depois de sermos que nascidos para dentro da família de Deus e sabemos que vamos viver para sempre com Ele. Desejamos explorar nossa nova vida espiritual, na medida em que começamos a crescer como filhos de Deus. Da mesma forma que um bom apetite é um sinal de saúde para um bebê, um bom apetite pelas coisas de Deus é um sinal de saúde espiritual.

A fim de experimentar a vida frutífera de crescimento em Cristo, vamos examinar quarto áreas de comunicação espiritual. Deus nos fala através de Sua Palavra (2 Timóteo 3:16). Falamos com Deus através da oração (Filipenses 4:6-7). Falamos com os outros crentes sobre Cristo (Hebreus 10:24-25) e falamos com os descrentes sobre Cristo (Romanos 1:16). Na medida em que crescemos nessas quatro áreas, vamos experimentar mudanças espirituais que nos tornam mais semelhantes a Cristo (Romanos 8:28-29).

O apóstolo Paulo o descreveu da seguinte forma: “E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito” (2Co 3:18).

Essa transformação espiritual não se dará, porque estamos nos esforçando mais. Ela se dará porque estamos em um lugar em que Deus, no Seu amor e Sua graça, pode trabalhar em nós, na medida em que entregamos consistentemente a nós mesmos, nossas vontades e nosso tempo a Ele.

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