Palestra

As palavras do hino “The Love of God” [“O amor de Deus”] capta, em palavras simbólicas, que nos deixa boquiabeto da magnitude do amor divino.

Se pudéssemos encher o oceano de tinta, e fossem os céus feitos de pergaminho, cada caule sobre a terra fosse uma pena, e todo homem, um escriba por ofício; escrever sobre o amor do Deus dos céus drenaria o oceano todo; nenhum rolo poderia contê-lo todo, mesmo esticado de céu a céu.

Esses versos ecoam a resposta de Paulo ao amor de Deus. O apóstolo rogou para que os crentes pudessem

“[...] compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus” (Ef. 3:18-19).

Ao refletir sobre esses versículos sobre o amor de Deus, alguns estudiosos da Bíblia acreditam que a “largura” se refere ao Seu abraço de alcance mundial (João 3:16); o “comprimento,” à Sua existência através de todas as eras (Efésios 3:21); “profundidade,” à Sua sabedoria profunda (Romanos 11:33); e “altura,” à Sua vitória sobre o pecado, abrindo o caminho para o céu (Efésios 4:8).

Somos admoestados a apreciar o seu amor maravilhoso. Contudo, à medida em que expandimos a nossa consciência do amor de Deus, logo nos damos conta de que a sua medida completa está além da nossa compreensão. Mesmo se o oceano estivesse cheio de tinta, usá-lo para escrever sobre o amor de Deus o drenaria todo até ficar seco.

Romanos 5:5 nos diz: “[...] porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo.”

A palavra grega que foi traduzida por “é derramado” está no pretérito perfeito, o que significa que começou em um ponto, do passado com efeito sem fim. Literalmente significa: “O amor de Deus transborda continuamente para os nossos corações.”

A fonte do amor de Deus nunca pretendeu ser experimentada somente para o nosso próprio benefício. É para ela transbordar por meio da prática de compartilhar as boas novas do amor redentor de Cristo com os outros. Isso significa ser uma testemunha alegre do que aconteceu em nós.

I. Aproveitando-se poder de Deus

Uma testemunha é alguém que pode dar testemunho de algo que viu, ouviu, ou sentiu. No nosso sistema legal, uma pessoa é trazida para a corte para compartilhar o que sabe por experiência pessoal. Esse termo é usado na admoestação de Cristo para nós:

Pouco antes de retornar aos Céus, Jesus disse aos Seus discípulos:

“[...] mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra” (Atos 1:8).

Mas ser uma testemunha de Cristo não significa meramente contar aos outros o que foi que experimentamos. Nosso Senhor nos prometeu o Espírito Santo, a fim de proporcionar um poder divino àquilo que estamos testemunhando. O Espírito Santo é a terceira Pessoa da Trindade. Quando alguém confia em Deus como o seu Salvador, o Espírito Santo vem para viver dentro dele e residirá com ele para sempre (João 14:16; Efésios 1:13; 4:30,
2 Coríntios 1:22). Entretanto, é possível ter o Espírito Santo dentro de nós, sem deixar que ele empodere a nossa vida. Por isso é que somos admoestados a nos “enchei-vos do Espírito” (Ef 5:18). Isso acontece quando confessamos todo o pecado conhecido, pedimos perdão a Deus, e entregamos nosso coração a Ele (1 João 1:9). A isso deve seguir uma atitude de dependência, segundo a qual “andemos no Espírito,” permitindo que o Espírito de Deus viva a vida cristã através de nós (Gálatas 5:16).

É essencial que nos deixemos encher pelo Espírito, antes de compartilhar as boas novas com um descrente. O que significa testemunhar? É simplesmente preocupar-se o suficiente para compartilhar as boas novas de que Jesus veio para redimir-nos do poder do pecado e para termos um relacionamento com Deus.

Há um grande versículo na carta de Paulo à igreja de Corinto que nos diz o quanto a mensagem do evangelho é simples:

“Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1Co 15:3-4).

Mas como fazer para compartilhar essa grande verdade com os outros? Aqui vão apenas algumas alternativas.

II. Compartilhando a sua própria história

Se você é um cristão hoje, houve uma época em sua vida em que você não era. Pense sobre como a sua vida mudou, desde que você nasceu espiritualmente para a família de Deus. Anote alguns pensamentos sobre como a sua vida era antes de Cristo, e no que ela se tornou, agora que você o conhece. Pense sobre o processo de tomada de decisão, pelo qual você respondeu ao Seu convite para uma vida nova, e escreva sobre isso também. Releia tudo e o domine bem o suficiente para poder contar espontânea e confortavelmente a alguém sobre como foi que o conhecimento de Jesus o transformou.

Todo cristão tem uma história única de encontro com Cristo. Ann, uma recepcionista em uma organização cristã, manteve um diário por grande parte de sua vida. Ela guarda a sete chaves o relato que ela registrou sobre a sua conversão aos 15 anos de idade. Aqui vai um trecho: “[Eu] fui ver Billy Graham. Eu fui salva! Estou muito feliz… Quando eu fui salva, senti um calor no meu coração.”

Um docente num instituto biblico estava dando uma aula de evangelismo pessoal para alguns calouros. Ele pediu aos alunos para escreverem as histórias de como eles chegaram à fé em Cristo. Ele ficou impressionado com a diversidade de jornadas diferentes. Alguns foram salvos para fora de uma vida de drogas e imoralidade. Outros eram frequëntadores de igreja e se chegaram a Cristo depois de anos de instrução bíblica.

Os relatos de conversão variam. O apóstolo Paulo teve um encontro espetacular com o Salvador, que o transformou de um perseguidor em um pregador do evangelho (Atos 26). Em contraste a isso, Timóteo foi calmamente nutrido nas Escrituras desde a mais tenra idade, resultando em sua experiência de salvação (2 Timóteo 3:14-15). Nenhuma jornada de fé é igual à outra. Mas cada uma tem o elemento comum de um voltar-se para o Senhor Jesus pela fé para a salvação do pecado e para o recebimento de um novo coração.

Será que você consegue reconstituir os passos que Deus o ajudou a tomar para chegar para Cristo? Qual é a sua história? Ponha-a no papel de forma linear, e ensaie mentalmente, como você iria contá-la a alguém que esteja disposto da ouvir.

III. Uma apresentação simples do evangelho

Por mais importante que seja contar a sua própria história, também necessitamos de uma forma organizada de compartilhar os pontos essenciais do evangelho com alguém. Uma apresentação simples que muitos usaram é chamada de “A estrada de Roma.” No mundo antigo, um o Império Romano construiu um sistema de estradas vastamente abrangente. Não importa o quanto uma estrada possa distar da Itália, o que se diz é que: “Todos os caminhos levam a Roma!” A razão para esse dito foi que era possível segui-lo para se chegar à cidade imperial.

É interessante notar que o livro do Novo Testamento de Romanos tem verdades bíblicas suficientes que podem ser citadas para explicar claramente o evangelho. O uso dos versículos desse livro para explicar como se recebe o dom de Cristo da salvação foi chamada de “A estrada de Roma.” Vamos examinar uma versão dessa ferramenta evangelística.

[Note: Você pode marcar cada versículo de sua própria Bíblia com uma descrição, de uma ou duas palavras, para lembrá-lo do que o versículo representa. Veja essas palavras ou frases em itálicos abaixo. Exemplo: escreva “pecado” na margem da sua Bíblia perto de Romanos 3:23.]

O primeiro versículo da Estrada de Roma para a salvação é Romanos 3:23, que fala do pecado: “[...] pois todos pecaram e carecem da glória de Deus.” Todos nós pecamos. Todos nós fizemos coisas que desagradam a Deus. Apesar dos nossos melhores esforços, cada um de nós falhou em viver consistentemente de acordo com o padrão moral perfeito de Deus.

A segunda passagem das Escrituras na Estrada de Roma para a salvação é Romanos 6:23, que nos fala da penalidade pelo pecado: “O salário do pecado é a morte [...].”

A punição que merecemos pelos nossos pecados é a morte. Não apenas a morte física, mas separação eterna de Deus.

O terceiro versículo na Estrada de Roma para a salvação é a segunda parte de Romanos 6:23, que fala do dom de Deus: “[...] mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.”

Romanos 5:8 declara, “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.”

Jesus Cristo morreu por nós, pagando a penalidade pelos nossos pecados. A ressurreição de Jesus demonstrou que Deus aceitou a morte de Jesus como pagamento pelo nosso pecado e a base para sermos declarados sem culpa diante dEle.

O quarto versículo na Estrada de Roma para a salvação é Romanos 10:9, que nos diz como devemos receber o dom: “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.”

Por causa da morte de Jesus no nosso lugar, temos que nos arrepender do nosso pecado e confiar exclusivamente em Cristo para a nossa salvação. Romanos 10:13 diz: “Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.” A salvação está disponível para todos aqueles que se arrependem e confiam em Jesus Cristo como o seu Salvador e Senhor.

O aspecto final da Estrada de Roma para a salvação são os resultados da salvação. Romanos 5:1 nos diz: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.” Através de Jesus Cristo, podemos ter um relacionamento de paz com Deus.

Romanos 8:1 proclama: “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.” Devido à morte de Jesus em nosso lugar, nunca seremos condenados pelos nossos pecados.

Se uma pessoa compreende o evangelho e deseja responder a Cristo para obter a salvação, uma oração simples pode ser um meio de expressar a fé em Jesus Cristo. Aqui vai uma oração que alguém poderia fazer: “Senhor Jesus, eu necessito de Ti. Obrigado(a) por morrer por mim na cruz para pagar o preço pelo meu pecado. Eu estou abrindo a porta da minha vida e recebendo a Ti como meu Salvador e Senhor. Tome o trono da minha vida e faça de mim o tipo de pessoa que Tu queres que eu seja.”

IV. Diálogo evangelístico

Depois de compartilhar o evangelho com alguém, você poderá achar que ele ou ela não esteja pronto(a) para estabelecer um compromisso. Eis porque é essencial manter o relacionamento ativo com comentários ocasionais sobre verdades espirituais.

Vamos analisar um exemplo bíblico de compartilhamento das boas novas. Na medida em que estudamos a narrativa de Felipe e o eunuco etíope (Atos 8:26-39), observe as maneira pelas quais Felipe ouviu e cultivou interesse espiritual.

Felipe estava desfrutando de um ministério de grande sucesso na Samaria, mas um anjo do Senhor o atraiu para fora do seu trabalho e o enviou para uma estrada no deserto. Ali, ele viu um homem sentado em uma carruagem e olhando atentamente para um rolo, enquanto viajava de Jerusalém para a Etiópia.

Esse homem estava bem longe de casa. Ele havia chegado da Etiópia, aparentemente com o propósito de adorar no templo judaico de Jerusalém. Quem sabe ele tenha comprado uma cópia do rolo de Isaías no templo. E agora ele estava lendo o mesmo, enquanto viajava de volta para casa, para a corte da Rainha Candace, na qual ele servia como tesoureiro.

Felipe se aproximou dele e perguntou, se ele estava entendendo o que estava lendo. O eunuco sabia que precisava de ajuda para entender esse Deus dos judeus, então, ele convidou Felipe para acompanhá-lo e explicar o texto de Isaías 53:7-8, que ele esteve estudando. A partir dessa passagem profética, Felipe estava em condições de compartilhar com esse homem a história de Jesus e o significado da Sua vida, morte e ressurreição. O eunuco creu e foi batizado.

O que aprendemos dessa passagem sobre o compartilhar das boas novas?

  • Primeiro, Felipe foi obediente ao direcionamento de Deus em deixar a Samaria, ir ao deserto, e falar com o etíope. Nós também devemos ser obedientes à ordem de Jesus de contar aos outros sobre Ele, o que pode incluir, falar a uma pessoa o que o Espírito Santo botou nos nosso corações.
  • Segundo, Felipe se encontrou com o etíope onde ele estava. Ele não apareceu gritando: “Tenho boas novas para você!” Não, ele se aproximou, fez uma pergunta introdutória e aguardou um convite para ir adiante na conversação.
  • Terceiro, Felipe sentiu a avidez do eunuco em saber mais. Ele se sentou ao seu lado e, podemos ter bastante certeza de que olhou nos olhos dele e viu a sinceridade de sua busca. Quando o Espírito Santo está trabalhando no coração de uma pessoa, estaremos conscientes disso e estaremos em condições de prosseguir com a inteireza da mensagem de Jesus.
  • Quarto, Felipe apontou as Escrituras para ele. O homem já estava lendo do rolo, de modo que Felipe tinha o seu texto diante dele, enquanto ele expunha sobre a passagem e apontava para Jesus. Temos que fazer o mesmo. O poder está na Palavra de Deus, não nas nossas palavras.
  • Quinto, ele o levou até onde ele estava disposto a ir. O etíope aceitou agradecido a verdade do testemunho de Felipe, e ele não apenas se tornou um crente, mas foi batizado e enchido de alegria. Mais uma vez, temos que ir tão longe quanto uma pessoa com a qual estamos falando esteja disposta a ir, e apenas até aí.

O princípio básico que aprendemos de Felipe e o eunuco etíope é que compartilhar a nossa fé deve ser relacional e nosso papel é de cultivar interesse espiritual, sem sermos impositivos.

V. Aguardando a colheita

No livro, What’s Gone Wrong With the Harvest? [O Que Deu Errado com a Colheita?], James Engel e Wilbert Norton ilustra em um gráfico como as pessoas muitas vezes passam por uma série de estágios de pré-conversão, antes de dar o passo por cima da linha da fé e receber a Jesus como o seu Salvador.

Quando ouvimos indivíduos compartilharem a sua experiência de conversão, poderemos concluir que a fé acontece de uma só vez. Mas a sua salvação freqüentemente envolve um contexto que é uma história de peregrinação espiritual extensa, antes de eles terem tomado aquela decisão. Eles precisaram de tempo para refletir sobre o evangelho. Para eles, chegar-se ao Salvador foi um processo.

Isso se parece com o processo da agricultura. Meses de espera chegam a um fim e os trabalhadores correm para o campo, para ajudar na colheita. Uma das parábolas do nosso Senhor ilustram como a fé – à semelhança de um colheita – necessita de tempo para se desenvolver.

Responder ao evangelho é como uma semente que cresce: “[...] primeiro a erva, depois, a espiga, e, por fim, o grão cheio na espiga[...]” até que finalmente “[...] é chegada a ceifa” (Mc 4:28-29).

Porque as pessoas podem precisar de tempo e exposições múltiplas ao evangelho, antes de estarem prontas para tomarem uma decisão, precisamos ser sensíveis para o momento em que elas se encontram em sua jornada de fé. Nesse meio tempo, podemos cultivar interesse espiritual, orar por elas e aguardar a colheita!

VI. Para onde ir a partir daqui?

Como implica o título desse curso, Princípios da Vida Espiritual, esse curso foi designado para ajudá-lo a começar o processo de crescimento em sua vida espiritual. Depois de alcançar os seus objetivos, você terá agora uma compreensão fundamental da fé cristã e estará pronto para progredir no seu desenvolvimento espiritual. É impossível imaginar crescer em sua vida espiritual, à parte das atividades de estudo da Bíblia, oração, comunhão e evangelismo. Encorajamos você a:

  • Comprometer-se com um horario de leitura regular da Bíblia e oração. Aquilo que se agenda, realiza-se. E, por sua vez, o que se deixa de agendar, é facilmente deixado de lado! Então, mesmo que sejam apenas alguns minutos por dia, é essencial orar, ler, estudar e meditar regularmente na Palavra de Deus.
  • Balancear a sua leitura para que ela seja extensa e, ao mesmo tempo, intensa. É importante ler livros inteiros da Bíblia para ter um conhecimento maior. Mas também é importante estudar passagens menores – um Salmo ou Provérbio ou um parágrafo, e meditar sobre ele.
  • Encontrar uma igreja e se associar com outros cristãos. Envolver-se com algum tipo de ministério é vital para desenvolver e manter uma vida espiritual sadia.

Finalmente, há uma série de cursos na “Our Daily Bread Christian University” que você pode fazer, que vão lhe ensinar como entender e estudar a Bíblia e viver a vida cristã. Aqui vai uma lista de alguns que recomendamos para começar:

  • Bases Bíblicas
  • Bases do Estudo Bíblico
  • Bases do Antigo Testamento
  • Bases do Novo Testamento
  • Bases das Religiões Mundiais
  • Bases da Visão de Mundo
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