Palestra

Introdoçáo

Nessa lição vamos pesquisar 1, 2 e 3 João e o livro do Apocalipse.

I. 1João

Embora o autor das três epístolas joaninas não se identifique, as evidências disponíveis apontam para João, o apóstolo, o filho de Zebedeu. Os pais do primeiro século o identificaram como o autor, e o estilo de escrita de todas as três epístolas é similar àquele do evangelho de João. Essas e outras observações apontam para João, “aquele a quem Ele amava” (Jo 13:23), como o autor dessas três epístolas.

João escreveu a sua primeira epístola no final dos anos 80 e início dos 90. O conteúdo da carta (especialmente afirmações em 1 João 2:12–14; 3:1; e 5:13) estão escritas nitidamente para cristãos. Mas como não há indivíduos ou lugares citados, pode ter sido um carta circular enviada a cristãos de várias localidades. João escreveu a carta com dois propósitos em mente. Primeiro, para ajudar os seus leitores a saber que têm vida eterna e, segundo, para confrontar os mestres gnósticos que estavam confundindo os crentes e expor seus ensinamentos falsos e estilo de vida imoral.

João teve que combater o que os falsos mestres estava promovendo, a fim de ajudar os seus leitores a terem segurança em saber que eram cristãos. Esses mestres estavam minando a segurança dos crentes em seu relacionamento com Deus; e João forneceu uma série de pontos de verificação para ajudá-los a sanarem as suas dúvidas. Esses pontos de verificação davam aos seus leitores uma forma de afirmar com segurança que eles eram cristãos genuínos. Em 1:6, João escreve: “Se dissermos que mantemos comunhão com Ele e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade” (ARA). Depois em 2:4: “Aquele que diz: ‘Eu o conheço’, mas não obedece aos Seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele” (NVI). Em 2:6, ele diz: “aquele que afirma que permanece nele, deve andar como Ele andou.” E em 2:9, “Quem afirma estar na luz mas odeia seu irmão, continua nas trevas” (NVI). Em 4:20, ele afirma: “Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê” (ARA). O ponto central de João é que as evidências de que os cristãos precisam para lhes garantir que eles sejam genuinamente cristãos é a qualidade de sua vida.

João usou de uma linguagem dura aqui. Mas leve em conta o fato de que ele tinha um relacionamento muito íntimo com Jesus. Ele é chamado de discípulo amado e era um membro no círculo de amigos mais íntimos de Jesus. Quando lemos o evangelho de João e as suas epístolas, quase ouvimo-lo dizer: “Sabe, eu realmente amo a Jesus. Sou completamente devoto à missão que Ele nos deu. E quando eu vejo alguém reivindicando ser o Seu seguidor e depois viver de forma contrária aos Seus ensinamentos, eu não gosto nada disso. Isso me incomoda profundamente.” O ponto que ele declara e repete claramente é que se você alega estar andando com Cristo, ande com Ele. Se você não pretende andar com Cristo, seja íntegro o bastante para admiti-lo. Para João, isso era questão de vida-ou-morte, e ele usa uma linguagem clara quanto a isso.

A ideia central de Primeira João é que apenas os cristãos que vivem em comunhão poderão viver com convicção. O ponto defendido por João era que a única forma de saber que o cristianismo funciona era vivê-lo. Paulo fez uma afirmação similar em Romanos 12:2: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” João ensinou que se as pessoas gostariam de ter certeza de que estavam em Cristo, elas teriam que viver da forma que Cristo lhes ensinou a viver. Apenas os crentes que vivem em comunhão com Jesus e fazem o que Ele ensina serão crentes que estão convencidos de que o cristianismo é verdadeiro. Somente eles podem dizer com convicção: “Sim, sei com certeza de que sou um seguidor genuíno do Filho de Deus.”

Uma série de passagens de 1 João nos dão um gostinho da abordagem de João nas suas mensagens. Sua afirmação de abertura é “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam — isto proclamamos a respeito da Palavra da vida” (1:1 NVI). Em 1:3–4, ele reafirmou os mesmos fatos e explicou, porque eles importavam: “Nós lhes proclamamos o que vimos e ouvimos para que vocês também tenham comunhão conosco. Nossa comunhão é com o Pai e com Seu Filho Jesus Cristo. Escrevemos estas coisas para que a nossa alegria seja completa” (NVI). João queria que os seus leitores soubesse que o conteúdo de sua carta era real e eles poderiam acreditar nele com toda a segurança. Ele viu a Jesus. Ele ouviu Jesus.

João declarou o seu propósito em escrever [a carta] em 1 João 5:13: “Escrevi-lhes estas coisas, a vocês que creem no nome do Filho de Deus, para que vocês saibam que têm a vida eterna” (NVI). A mensagem de João em 1 João é que você só pode saber que tem a vida eterna que Deus dá, vivendo essa vida. Se você não a estiver vivendo, você provavelmente não a tem. É esse equilíbrio entre saber o que você acredita e vivê-lo que lhe dá a convicção de que seja real.

É difícil de esboçar Primeira João. Ele repete os seus temas na medida em que constrói a sua defesa dos dois pontos principais: Primeiro, que você pode ter comunhão conosco; e segundo, que você pode saber que tem vida eterna. Primeira João contribui para a nossa compreensão das dúvidas e lutas que os primeiros cristãos enfrentaram. Mas João também nos ensina o quanto elas eram importantes na época—e são hoje—para afirmar a realidade do evangelho, vivendo-a. Ele enfatiza sempre de novo nessa epístola breve, o quanto é essencial viver uma vida cristã ativa.

II. 2 João

Segunda João é atribuída a João, o apóstolo, por causa das similaridades de seu estilo com 1 e 3 João e com o evangelho de João. Ele se apresentou como “o presbítero” e se remeteu aos seus interlocutores como “à senhora eleita e aos seus filhos, a quem amo na verdade” (1:1 NVI). É consenso entre os estudiosos do NT, que a “senhora eleita” era uma igreja doméstica na Ásia Menor e “seus filhos” eram os membros da igreja. O propósito de João era de instruir a igreja em como discernir a que mestres dar apoio. Havia tanto mestres de verdade, quanto falsos, que viajavam de igreja em igreja, e havia alguma dúvida sobre a quais eles deveriam dar as boas-vindas e contra quais se guardar. Nos versículos 9–10, João deixou clara a sua advertência: “Todo aquele que não permanece no ensino de Cristo, mas vai além dele, não tem Deus; quem permanece no ensino tem o Pai e também o Filho. Se alguém chegar a vocês e não trouxer esse ensino, não o recebam em casa nem o saúdem” (NVI).

Mas essa advertência de não aceitar falsos mestres é compensada nos versículos 5–6, “E agora eu lhe peço, senhora — não como se estivesse escrevendo um mandamento novo, mas o que já tínhamos desde o princípio — que amemos uns aos outros. E este é o amor: que andemos em obediência aos seus mandamentos. Como vocês já têm ouvido desde o princípio, o mandamento é este: Que vocês andem em amor” (NVI). A tensão com a qual João lida em 2 João é de como equilibrar verdade e amor. Não devemos comprometer a verdade de Deus, mas na medida em que confrontamos o erro, devemos fazer isso de uma forma que demonstre o amor de Deus.

A ideia central de João em 2 João é que verdade e amor são realidades complementares da fé cristã. O livro pode ser esboçado de forma simples. João introduz o seu tema de andar na verdade nos versículos 1–4. Depois ele faz os seus leitores lembrarem do mandamento de Deus de andar no amor nos versículos 5–6. Somente então ele aborda o problema de lidar com falsos mestres nos versículos 7–13.

A contribuição de Segunda João ao NT é que ela ilustra como a verdade e o amor se compensam um ao outro. Nós a usamos hoje para nos lembrar de que devemos estar comprometidos com a ambas as coisas: a verdade e o amor, quando lidamos com o falso ensinamento na igreja.

III. 3 João

Terceira João dá continuidade ao tema de João de se remeter ao problema dos falsos mestres, mas o faz de uma forma amorosa. Nós vemos um estreitamento do foco nas três cartas de João. Primeira João era uma carta circular para certo número do igrejas para combater o ensinamento falso. Segunda João foi escrita para uma congregação eclesiástica, para ajudá-la a saber como lidar com os falsos mestres que queriam o apoio da igreja para o seu ministério. Terceira João foi escrita para um indivíduo, “ao amado Gaio, a quem eu amo na verdade” (3 Jo 1:1). João estava recomendando esse servo fiel de Deus, porque ele apoiava aqueles que ensinavam a verdade. Depois, nos versículos 9–10, ele confrontou um homem chamado Diótrefes, que estava se opondo aos mensageiros de João, que estavam ensinando a verdade. João prometeu lidar com esse homem difícil, quando fosse visitar a igreja em que ele estava causando problemas. Assim, João não apenas escreveu sobre a importância de confrontar os mestres falsos, ele prometeu fazê-lo em pessoa.

No versículo 11, João repete uma ênfase que ele deu tanto em 1 quanto em 2 João: “Amado, não imite o que é mau, mas sim o que é bom. Aquele que faz o bem é de Deus; aquele que faz o mal não viu a Deus” (NVI). João então recomenda Demétrio, um dos mestres fiéis de Deus. Ao encerrar a carta, João expressa a sua esperança de que ele pudesse vir em breve e falar com o seu amigo, Gaio, face a face. A ideia central de 3 João é que temos que apoiar aqueles que são fiéis no ministério e confrontar aqueles que não são. O esboço de João segue essa temática. Nos versículos 1–8, João recomenda Gaio e, em 9–10, ele condena Diótrefes. Ele encerra a carta, nos versículos 11–14, com saudações e comentários pessoais.

Tanto 2 João, quanto 3 João nos ensinam que a verdade de Deus é digna de ser defendida. Mas, ao fazer isso, devemos ser guiados por seu ensinamento sobre o amor.

IV. Apocalipse

Apocalipse é o último livro do NT. Ao contrário de suas três cartas e seu evangelho, em que ele não se apresenta, João se identifica quatro vezes como o autor do livro do Apocalipse. João havia sido exilado para Patmos, uma ilha no Mar Egeu, durante a perseguição da igreja feita por Domiciano. Ele havia recebido uma visão de Deus, que descreve em 1:9–20, e recebeu ordens de escrever o que viu. O livro foi destinado às sete igrejas da Ásia Menor e era uma carta cíclica e circular. Depois que ela havia sido lida em uma igreja, ela era passada para a próxima.

Os cristãos estavam sendo perseguidos nessa época e João se remeteu ao seu sofrimento diversas vezes no livro. Ele fez referências ao encarceramento e tribulação em 2:10; à hora da provação, em 3:10; ao martírio, em 2:13 e 6:9, e ao seu próprio exílio, em 1:9. Roma estava começando a impor a adoração ao imperador, e a recusa dos cristãos de adorar a qualquer um que não seja Deus exigiu uma confissão aberta de sua fé. Essa “revelação de Jesus Cristo” foi escrita como um lembrete de que, embora possa parecer a um cristão que está sofrendo que Deus tenha perdido o controle do Seu universo, Ele continua no Seu trono, Ele segue controlando os eventos, e Ele irá, em Seu tempo devido, estabelecer o Seu Reino explicitamente e reinar sobre ele como o Rei dos Reis e Senhor dos Senhores. O propósito do livro é de revelar a soberania de Deus como base para o encorajamento e força para a igreja perseguida. A maioria dos estudiosos situa o livro em torno de 95 d.C.

O livro é esboçado em 1:19, onde o anjo diz a João para escrever “as coisas que viste, e as que são, e as que hão de acontecer depois destas.” No capítulo 1, João descreve a visão que recebeu de Deus e depois a registra nesse livro do Apocalipse. As setes cartas às sete igrejas, registradas nos capítulos 2 e 3, descrevem o que está acontecendo “agora” e nos dá vislumbres da condição da igreja no fim do primeiro século. O resto do livro, os capítulos 4–22, são um registro do que ainda está por vir.

Apocalipse é escrito como uma profecia e descreve eventos futuros. O uso extensivo de literatura apocalíptica torna difícil identificar exatamente a que algumas partes do livro se referem. Mas a maioria do que é estranho e pouco claro para o leitor moderno, era mais óbvio, para o seu leitor original. Sua associação com o AT e com os eventos que se davam em torno deles em seu mundo greco-romano lhes davam uma ideia de muito do que é misterioso para nós. Temos que usar de cautela se tentamos interpretar os eventos registrados no Apocalipse à luz das realidades contemporâneas. A nossa primeira preocupação é com o que João estava comunicando para os seus leitores originais. A grande quantidade de imagens contidas no livro tornam difícil identificar o que João estava descrevendo. Por isso, há várias abordagens à interpretação do livro.

A visão preterista ensina que enquanto os eventos dos capítulos 4–22 são futuros em relação ao leitor original, a maior parte deles, com exceção do triunfo de Cristo, registrado nos capítulos 19–22, ocorreram durante a perseguição de Domiciano no primeiro século. A visão futurista diz que todos os eventos que se seguem aos capítulos 1–3 ainda são futuros. A visão historicista crê que os eventos do Apocalipse identificam várias fases da história da igreja. E a visão idealista acredita que os eventos descrevem o luta eterna entre bem e mal e não devem ser relacionados a quaisquer eventos específicos. A combinação das visões preterista e futurista é recomendada, porque foca no que o leitor original teria compreendido que o conteúdo significava na época em que foi escrito. Com base nisso, podemos interpretar com mais segurança, como é que o conteúdo [do livro] descreve o futuro.

O livro de Apocalipse é difícil de entender e é evitado muitas vezes, porque a sua leitura é tão árdua. Mas o livro começa e se encerra com uma promessa àqueles que o leem. Apocalipse 1:3 diz: “Bem-aventurados aqueles que leem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo” (ARA). E o livro termina com uma afirmação de sua verdade e outra promessa àqueles que o leem e obedecem a ele: “O anjo me disse: Estas palavras são dignas de confiança e verdadeiras. O Senhor, o Deus dos espíritos dos profetas, enviou o Seu anjo para mostrar aos Seus servos as coisas que em breve hão de acontecer. ‘Eis que venho em breve!’ Depois, ele acrescentou essa promessa: ‘Feliz é aquele que guarda as palavras da profecia deste livro’” (Ap. 22:6–7 NVI).

Mas para “guardar” as palavras desse livro, temos que conhecê-las. Por mais difícil que seja, o livro do Apocalipse não é de leitura facultativa. A imagem do nosso Deus exaltado, no capítulo 4, é uma imensa fonte de força e perspectiva para os cristãos, para quando nós ficamos desmotivados pelo maligno que o livro do Apocalipse diz que caracteriza o nosso mundo. A história do Cordeiro que foi morto e é digno de abrir o livro, no capítulo 5, renova a nossa admiração e louvor pelo que Jesus fez por nós. As sete cartas para as igrejas da Ásia Menor, nos capítulos 2 e 3, fornecem advertências, instrução e encorajamento à igreja de qualquer época. E o retorno vitorioso de Jesus, registrado nos capítulos 19–22, eleva o coração do crente a um novo plano de culto. Nunca vamos compreender completamente os lugares e eventos e criaturas do Apocalipse. Mas deixar que a nossa incapacidade de entender essas partes difíceis nos impeçam de acessar tudo o que esse livro oferece seria um erro trágico. Leia-o. Veja nosso Senhor e Deus nele! E exclame junto com João: “Certamente, venho sem demora. Amém! Vem, Senhor Jesus!” (22:20)

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