Palestra

Introdoçáo

Nessa lição vamos pesquisar o livro de Hebreus e as Epístolas Gerais.

I. Hebreus

Hebreus, o primeiro livro que analisaremos nessa lição, não menciona os seus destinatários, mas o seu conteúdo indica que ele foi escrito para cristãos judeus. Os primeiros manuscritos contém o título “para os hebreus,” e o autor se refere aos personagens do AT como “nossos pais.” Ele também faz inúmeras referências a tradições hebraicas e assume que os seus leitores tinham familiaridade com eles. Poder-se-ia chegar à conclusão segura de que a carta havia sido escrita para uma congregação específica de cristãos judaicos, possivelmente da cidade de Roma. Porque não há referência à destruição de Jerusalém e o seu templo judaico, a carta foi escrita provavelmente antes de 70 d.C. O escritor não se identifica. Nenhum nome foi promovido com evidência suficiente para resolver a questão da autoria, e, assim, a melhor resposta para a pergunta, quem escreveu Hebreus, é que não sabemos.

O propósito do livro era de persuadir esses crentes judeus a cultivarem o seu relacionamento com Cristo e Seu estilo de vida de forma ativa. Os cristãos estavam sendo confrontados e perseguidos no Império Romano e isso tornava a vida como cristão difícil. Mas além de serem perseguidos pelos romanos, esses crentes estavam enfrentando oposição de seus companheiros judeus—e muitos deles aparentemente cogitavam voltar para o judaísmo.

Cinco passagens diferentes em Hebreus encorajam esses leitores a continuarem a seguir Jesus Cristo de forma fiel. Depois de apresentar uma visão exaltada de Jesus como a revelação suprema de si mesmo no capítulo 1, o autor adverte que “temos que nos apegar, com mais firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos” (veja 2:1-4). Há quatro outras advertências contra abandonar a fé em Cristo, localizadas em Hebreus 3:12-14; 4:1–12; 5:11–6:8; 10:26–31. Essas passagens dão uma ideia de como o escritor estava preocupado em que os seus leitores não estivessem vivendo como seguidores de Jesus. A ideia central do livro é que devemos seguir a Deus de forma ativa porque a vida que Ele oferece é superior a qualquer outra opção. Abandonar a Jesus em prol do judaísmo, ou qualquer outra alternativa de vida seria tolo e desastroso.

O autor aborda um problema insólito quando tenta convencer esses cristãos judeus de que eles não deveriam voltar para o seu estilo de vida anterior. O estilo de vida anterior dos hebreus era o judaísmo, e isso viera de Deus. Leitores judaicos que abandonaram a Jesus reverteriam a um estilo de vida que Deus havia revelado através da lei e dos profetas. O autor de Hebreus teve que promover um cristianismo sem desvalorizar judaísmo. E foi exatamente isso que ele fez. A afirmação de abertura de Hebreus valida o judaísmo: “Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas” (1:1). Ele diz que o que os pais judaicos acreditavam veio de Deus. Mas então, no versículo 2, ele também corrobora a mensagem cristã, escrevendo: “nestes últimos dias, nos falou pelo Filho” (ARA). Assim, o mesmo Deus que falou aos pais, falou de novo. Depois, por todo o resto de Hebreus, o autor nos mostra que quando Deus falou de novo em Seu Filho, Ele passou uma mensagem que cumpria as promessas que Ele havia feito, quando falou aos antepassados dos judeus através dos profetas. O judaísmo era a revelação de Deus, e ele continha muita promessas proféticas. Essas promessas foram cumpridas quando Deus falou de novo por Seu Filho.

O argumento de Hebreus é desenvolvido em três momentos. Primeiro, ele nos mostra que Jesus é superior Sua Pessoa (1:1–4:13). Segundo, Ele é superior Sua obra (4:14–10:18); e, terceiro, Ele é superior na vida que Ele oferece (10:19–13:25). O autor sentiu um fardo pesado na medida em que ele viu os seus companheiros judeus crentes lutando na sua vida cristã. Viver como cristão era duro, e eles estavam correndo o risco de desistir. Mas ele encorajou-os a seguir a vida que Cristo oferece de forma ativa, porque não apenas não há opção melhor, não há qualquer outra opção.

Hebreus nos ensina sobre o ministério de Jesus como nosso Sumo Sacerdote e nos convida a achegar-nos, “portanto,” confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” 4:16 (ARA). Hebreus também explica claramente, por que todo cristão deve cultivar o seu relacionamento com Jesus Cristo de forma ativa.

II. James

Tiago é o próximo livro do NT e é a primeira das Epístolas Gerais. A carta provavelmente foi escrita antes do Concílio de Jerusalém em 50 a.C. e pode ser o primeiro livro do NT. O peso das evidências diz que o autor é um dos irmãos do Senhor. Esse fato contribuiu à autoridade de Tiago na igreja de Jerusalém, mas o seu respeito estava baseado em mais do que o seu relacionamento com Jesus; ele estava baseado em sua vida piedosa. Ele era um homem de Deus profundamente religioso. Ele presidiu o Concílio de Jerusalém (Atos 15:1–21) e foi citado por Paulo como um dos pilares da igreja (Gálatas 2:9). Sua carta teria sido lida com grande interesse e respeito.

A carta é endereçada “às doze tribos que se encontram na Dispersão” (1:1) e é remetida obviamente a crentes judaicos. O fato de que eles estavam dispersos refere-se à diáspora ou à dispersão dos judeus por todo o Império Romano. Muitos desses judeus dispersos se reuniram em Jerusalém para o Pentecoste, e três mil receberam o convite de Pedro de aceitar a Jesus como o seu Messias. A diáspora também incluiria a dispersão mencionada em Atos 8:1 e 11:9, após a perseguição relacionada ao apedrejamento de Estêvão, em Atos 7. A data precoce de sua escrita é indicada pela natureza distintivamente hebraica do seu conteúdo, o que sugere que a igreja ainda é predominantemente judaica.

O propósito de Tiago era de encorajar os seus leitores a exercitarem a sua fé em suas vidas cotidianas. Em 1:22, ele nos exorta a agir de acordo com o que sabemos da Palavra de Deus. De fato, ele afirmava que era um engano acreditar que ouvir (ou ler) a Bíblia fosse tudo o que precisaríamos fazer. Ele escreve: “Sejam praticantes da palavra, e não apenas ouvintes, enganando-se a si mesmos” (NVI). E em 2:18, ele enfatiza novamente a importância de uma fé que produz ação: “Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me essa tua fé sem as obras, e eu, com as obras, te mostrarei a minha fé.” Ele afirmou sete vezes, nos versículos 2:14-26, que a fé que não produz ação é uma fé morta. A ideia central em Tiago é que a fé que não funciona não é uma fé real. Ele estava consciente do fato de que as pessoas que exercitaram a fé quando receberam a Cristo como o seu Salvador não estavam vivendo pela fé no dia a dia. Ele sabia que Deus nunca esperaria que nós vivêssemos de acordo com os padrões que Ele estabeleceu para nós, a menos que nós recorrêssemos ao Seu poder para viver pela fé. Assim Tiago nos recomenda fazer o que a Palavra de Deus ensina e depois nos lembra que só podemos fazer isso pela fé.

É quase impossível de se esboçar o livro de Tiago, mas o autor trata de diferentes formas de aplicar a nossa fé a situações específicas. No capítulo 1, ele nos ensina que a fé deve fazer uma diferença quando encaramos as pressões da vida. No capítulo 2, ele nos conta como não demonstrar favoritismo e como nossa fé muda nossa visão das pessoas. O capítulo 3 nos ensina, como aplicar a fé no poder e sabedoria de Deus às nossas próprias inadequações. Não temos condições de controlar nosso comportamento e necessitamos confiar no poder de Deus para nos transformar. No capítulo 4, aprendemos a aplicar a fé aos nossos relacionamentos com os outros para evitar contendas. E no capítulo 5, ele explica como a fé evita que fiquemos desiludidos e desmotivados pelas injustiças de nosso mundo decaído. Tiago ensina que a nossa qualidade de vida depende de estarmos vivendo pela fé.

O ensinamento contundente de Tiago sobre a fé e obras parece contradizer o ensinamento de Paulo de que somos salvos pela fé e, não, pelas obras. Mas Paulo está falando sobre o papel da fé em se tornar um cristão. Deus nos salva pela Sua graça e não podemos conquistá-la realizando boas obras. Tiago, por outro lado, está falando do papel da fé em ser um cristão. Você se tornar um cristão, aplicando a fé sem obras. Mas você não pode viver como cristão se tiver uma fé que não funciona.

Usamos Tiago hoje para nos ensinar como aplicar a nossa fé no amor e poder de Deus às circunstâncias diárias da vida. A mensagem de Tiago é que exercer a fé não é um evento único que experimentamos quando aceitamos a mensagem do evangelho. Exercitar a fé deve ser uma realidade constante para o cristão.

III. 1 Pedro

Pedro, o apóstolo, escreveu os livros do NT de Primeira e Segunda Pedro. Seu título de apóstolo dava peso às suas palavras, mas ele tinha mais do que um título para dar crédito às suas instruções. Ele havia pregado o grande sermão no dia do Pentecoste registrado em Atos 2, quando três mil pessoas se entregaram a Cristo. Ele realizou milagres pelo poder de Deus. Ele foi o homem que Deus escolheu para plantar a primeira igreja gentia (Atos 10–11). Ele era um orador chave no Concílio de Jerusalém (Atos 15:7-11). A sua estatura como um homem de Deus fiel conferia à sua carta honra e respeito.

Pedro destinou a sua primeira carta “aos eleitos que são forasteiros da Dispersão no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia” (1:1 ARA). Ele escreveu para judeus desalojados, que viviam nessas cidades gentias. Mas as declarações em 2:10 e 4:3 se referem claramente também a cristãos gentios. Os crentes estavam sofrendo e o propósito de Pedro era de instruir e encorajá-los nas suas circunstâncias difíceis. A carta provavelmente foi escrita no início dos anos 60, quando o governo de Nero estava perseguindo os cristãos. Mas, além da perseguição romana, Pedro se refere ao ostracismo e abuso verbal que esses crentes estavam suportando dos seus vizinhos e até membros da família. Uma das três partes principais da carta é dedicada a ajudar os cristãos a suportarem o sofrimento. Pedro usou a resposta de Jesus ao Seu sofrimento como modelo e um lembrete de que o sofrimento não indica o descontentamento de Deus.

A ideia central da carta pode ser encontrada no começo, mas é repetida no final. Depois que Pedro se refere ao seu público como sendo de forasteiros desalojados, ele acrescenta, que são “eleitos.” Embora eles estivessem sofrendo, ele os faz lembrar de que eram o Seu povo pela Sua eleição. Depois, em 1:2 ele escreveu uma saudação que soa irônica, se escrita para pessoas que sofrem: “graça e paz vos sejam multiplicadas.” É sério? Sério mesmo, Pedro? Sim. Pedro estava falando completamente sério, e sua carta nos ensina como ter graça e paz—e tê-las na mais plena medida, mesmo quando estamos sendo dispersos e desalojados ou sofrendo perseguição. Para reforçar a sua ênfase, ele terminou a sua carta com: “que esta é a genuína graça de Deus; nela estai firmes” (5:12). E suas palavras finais, dois versículos mais adiante, são: “Paz a todos vós que vos achais em Cristo” (5:14).

Pedro organizou as suas instruções para os santos sofredores em quatro momentos. Primeiro, ele nos ensina como a salvação muda os nossos compromissos de vida (1:1–2:12). Depois, ele nos instrui sobre o papel essencial da submissão em nosso sofrimento (2:13–3:12), e, em seguida, ele se remete ao tópico do bom sofrimento enquanto cristãos (3:13–4:19). Ele fecha as suas instruções para aqueles que apascentam o rebanho de Deus (5:1–14).

Sempre que há cristãos sofrendo, ou quando encorajamos os outros que estão sofrendo, 1 Pedro é uma ferramenta essencial. Nessa carta, ele nos ensina como fazer mais do que aguentar até o fim. Ele nos ensina como o sofrimento pode contribuir para obtermos a graça e paz de Deus na medida mais plena.

IV. 2 Pedro

A segunda carta de Pedro deve ter sido escrita antes de 68, que foi o ano de sua morte. Como em 1 Pedro, essa é uma Epístola Geral e nenhuma igreja em especial é mencionada. Ela é endereçada “aos que conosco obtiveram fé igualmente preciosa na justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo” (1:1 ARA). O seu tema é reiterado a partir de 1 Pedro, “graça e paz vos sejam multiplicadas, no pleno conhecimento de Deus e de Jesus, nosso Senhor” (2Pe 1:2). Embora o tema seja similar, o propósito mudou. Desde a sua primeira carta, a oposição a que ele se remeteu ali transferiu-se de fora para dentro das igrejas, e ele estava escrevendo essa carta para ajudar os crentes a combater os falsos profetas e mestres que haviam se infiltrado em várias congregações. Ele alerta os seus leitores de que esses falsos mestres “introduzirão secretamente heresias destruidoras, chegando a negar o Soberano que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. Muitos seguirão os caminhos vergonhosos desses homens e, por causa deles, será difamado o caminho da verdade” (2:1-2 NVI).

Pedro declara o seu propósito em 3:1-2: “Amados, esta é agora a segunda carta que lhes escrevo. Em ambas quero despertar com estas lembranças a sua mente sincera para que vocês se recordem das palavras proferidas no passado pelos santos profetas, e do mandamento de nosso Senhor e Salvador que os apóstolos de vocês lhes ensinaram” (NVI, itálico nosso).

Pedro estava convencido de que o antídoto contra ser enganado por falsos mestres era seguir o ensinamento verdadeiro de Deus ativamente. Há declarações que afirmam a verdade e poder da Palavra de Deus e a necessidade de Seu povo conhecê-la bem, espalhadas por toda essa breve epístola. Há três momentos nessa breve carta. Pedro começa, afirmando nossa confiança na verdade da Palavra de Deus. No capítulo 2, ele descreve a imoralidade dos falsos mestres e os perigos que eles representam. O capítulo 3 atribui uma perspectiva eterna à verdade e ao erro, focando no retorno de Jesus. Ele encerra o livro, dizendo-nos para nos empenharmos para sermos “achados por ele em paz, sem mácula e irrepreensíveis” (3:14 ARA). Segunda Pedro apresenta uma ideia clara de como o ensinamento falso pode ser prejudicial e nos exorta a sermos diligentes no estudo da verdade de Deus como proteção contra o erro. No capítulo final, Pedro nos fornece uma perspectiva muito necessária sobre a verdade e concentra o nosso foco na esperança do retorno de Jesus.

V. Judas

Judas, o último livro que vamos analisar nessa lição, é muito parecido com 2 Pedro. As evidências nos levam a concluir que o autor era um dos irmãos de Jesus, como Tiago. Alguns datam a carta já em 65 d.C. outros só em 80 d.C.

Pouco sabemos sobre Judas. Que ele era de fato irmão de Jesus, cujo nome está listado em Mateus 13:55, é praticamente tudo que sabemos sobre ele, exceto que ele escreveu um livro do NT. João nos conta que Judas e os demais irmãos de Jesus não seguiram a Jesus ao longo do Seu ministério na terra (João 7:3–10). É provável que ele tenha aceitado as reivindicações de Jesus depois de Sua crucificação e ressurreição.

A carta é destinada, de forma bem genérica, no versículo 1: “aos que foram chamados, amados por Deus Pai e guardados por Jesus Cristo” (NVI). Não há indicação de sua localização ou etnia, e a carta provavelmente foi endereçada a cristãos de todos os lugares. Ele começa com uma saudação simples: “Misericórdia, paz e amor lhes sejam multiplicados.” O propósito assumido de Judas é direto: “Amados, embora estivesse muito ansioso por lhes escrever acerca da salvação que compartilhamos, senti que era necessário escrever-lhes insistindo que batalhassem pela fé de uma vez por todas confiada aos santos” (v. 3 NVI).

Judas estava tão preocupado com o dano que esses mestres falsos poderiam causar, que ele “se sentia compelido” a exortar os seus leitores a lutarem pela fé. Esses mestres falsos se infiltraram na igreja secretamente e causariam estragos, se não fossem confrontados. A sua ideia central é que a melhor forma de confrontar o erro é de viver a verdade.

Judas inicia a sua carta com uma breve explicação de seu propósito nos versículos 1–3. Depois, nos versículos 4–16, ele descreve o perigo representado pelos hereges para a igreja. Ele finaliza, nos versículos 17–25, com uma exortação: “Edifiquem-se, porém, amados, na santíssima fé que vocês têm, orando no Espírito Santo. Mantenham-se no amor de Deus, enquanto esperam que a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo os leve para a vida eterna” (Jd 1:20–21). A advertência de Paulo de que o antídoto contra ser aleijado pelo erro é de andar na verdade de Deus, é crucial para qualquer época. Sua grande contribuição à Palavra de Deus é sua advertência contra a negligência doutrinal.

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