Palestra

Imtroduçao

Na lição seis, fizemos um levantamento da vida e ministério de Paulo. A igreja estava se expandindo e vidas estavam sendo transformadas. Esses novos cristãos foram ensinados a se relacionarem de modo diferente com tudo, desde a sua esposa, até o seu dinheiro e seus inimigos. O Espírito Santo estava provocando uma revolução na vida das pessoas.

Mas as revoluções são confusas e as pessoas nem sempre sabem exatamente o que uma revolução demanda. Por isso, Deus nos deu vinte e uma epístolas que nos contam como viver essa vida revolucionária, Paulo escreveu treze dessas vinte e uma epístolas. Cada uma foi escrita para uma igreja ou pessoas específicas. As outras oito foram escritas por quatro autores diferentes: Tiago, Pedro, João e o autor desconhecido de Hebreus. Algumas dessas cartas foram escritas para a igreja como um todo e são referidas como Epístolas Gerais. As três cartas de João e o livro do Apocalipse, junto com o seu evangelho ficaram conhecidas como literatura joanina. Vamos estudar essas oito cartas em lições posteriores, mas nas próximas duas lições vamos pesquisar as treze epístolas paulinas. A propósito, embora haja diferenças leves entre uma carta e uma epístola, é legítimo usar esses termos como sinônimos.

I. Romanos

Temos que nos lembrar de que esse é um curso de levantamento geral do NT. Nosso propósito é de introduzir os livros do NT e não estudar o seu conteúdo em detalhes. Focamos mais no porquê de cada livro ter sido escrito, para quem foi escrito, qual é a sua ideia central, e como o seu conteúdo está organizado. A Our Daily Bread University e a Christian University GlobalNet oferecem cursos individuais sobre cada um desses livros do NT que estudam o seu pano de fundo e conteúdo em maior profundidade. Estaríamos bem servidos de continuar nosso estudo da Palavra de Deus, com base nesses cursos.

A primeira das cartas de Paulo à que temos acesso no NT é Romanos. Essa, junto com Colossenses, foi uma das duas cartas que ele escreveu a igrejas que não plantou. Nessas cartas ele escreveu para pessoas que o conheciam por sua reputação, mas às quais ele não ministrou pessoalmente.

O tema de Romanos é o evangelho, e a ideia da carta é que as boas novas de Deus são uma mensagem essencial. Já que Paulo nunca apresentou o evangelho pessoalmente para essas pessoas, seu propósito em escrever era garantir que eles entendessem o que ele queria dizer com o termo evangelho. Havia muitas versões distorcidas do evangelho e Paulo estava esclarecendo o que ele quis dizer com o termo, como forma de preparo de sua visita a Roma.

Então, a questão pungente no livro de Romanos é: O que é o evangelho realmente? Consequentemente, [em Romanos] Paulo dá a explicação mais detalhada do evangelho que encontramos nas suas cartas.

Uma afirmação chave de Romanos é: “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego; visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé” (Rm 1:16-17 ARA). Romanos é um grande tratado teológico. É a explicação detalhada de Paulo para o evangelho e o seu magnum opus.

Há duas divisões principais no livro. Nos capítulos 1–11, Paulo explica o evangelho de Jesus Cristo e essa seção é essencialmente teológica por natureza. Nos capítulos 12–16, Paulo explica como acreditar no evangelho de Jesus Cristo deve influenciar nossa vida diária. É de uma natureza mais prática. Era inconcebível para Paulo, e deve ser para nós, que qualquer um pudesse entender a verdade de Romanos 1–11 e não se sentir compelido a responder às suas demandas nos capítulos 12–16. Romanos nos dá nossa explicação mais profunda e mais completa do evangelho. Nós o usamos hoje como um texto básico para grande parte da nossa teologia e como instruções para a vida cristã prática.

II. 1 Coríntios

O próximo livro do NT é 1 Coríntios. O propósito de Paulo em escrever essa carta era de se remeter a algumas questões sérias nessa igreja problemática. Os cidadãos de Corinto haviam visitado Paulo em Éfeso e as suas notícias sobre a igreja em Corinto eram tão preocupantes, que Paulo escreveu essa carta para tratar dos problemas. Paulo estava planejando uma viagem para Corinto, mas ele sentia que essas preocupações não poderiam esperar até a sua visita. Entre outros problemas, Paulo tratou das divisões na igreja. Também havia duas pessoas na igreja que estavam vivendo um relacionamento imoral—e os membros deixaram de tratar disso.

Na segunda metade de 1 Coríntios, Paulo responde a questões específicas que os coríntios fizeram a ele em uma carta que lhe haviam enviado. Eles tinham dúvidas sobre relacionamento matrimonial, comportamento questionável para cristãos, ordem da igreja, dons espirituais e a validade da ressurreição de Jesus. A ideia central de 1 Coríntios é que o evangelho seja poderoso demais para ser ignorado na vida diária. Por serem cristãos, Paulo insistiu que eles vivessem de acordo com o ensinamento de Jesus.

Paulo conhecia muitos dos coríntios bastante bem. Ele havia passado dezoito meses lá, quando plantou a igreja em 51–52 a.C. Mas pessoas novas, que não conheciam Paulo, se tornaram cristãs e ingressaram na igreja. Muitos deles preferiam Apolo, o seu pastor atual (1 Coríntios 1:10–12), enquanto outros preferiam Paulo. A resposta de Paulo foi que ele e Apolo eram integrantes da mesma equipe. Ele escreveu: “Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus” (3:16 ARA). Assim, Paulo reage a relatos que ele havia ouvido sobre os coríntios nos capítulos 1–6 e responde aos seus questionamentos específicos nos capítulos 7–16.

O conteúdo de 1 Coríntios nunca estará ultrapassado. Essa primeira carta para os Coríntios nos dá uma ideia de algumas das lutas que a igreja primitiva enfrentou e fornece uma instrução considerável sobre como podemos lidar com aqueles mesmos problemas, quando os encaramos hoje.

III. 2 Coríntios

Segunda Coríntios foi escrita alguns meses depois de 1 Coríntios, em torno de 55 d.C. O propósito de Paulo nessa carta foi de explicar e defender a sua reputação como pessoa e apóstolo. Algumas pessoas na igreja se opunham fortemente a Paulo. Elas o acusavam de ser desonesto e fraudulento e estavam usando a mudança de planos de Paulo para desacreditá-lo. Ele havia dito aos coríntios que pararia em Corinto, no seu caminho para a Macedônia, mas seus planos mudaram e ele foi primeiro para a Macedônia. Ele escreveu 2 Coríntios a partir da Macedônia e informou os coríntios que planejava visitá-los no caminho de volta para Éfeso.

Os inimigos de Paulo usaram essa mudança de planos para acusá-lo de ser um charlatão. Além disso, Paulo havia escrito uma carta com exortações necessárias, mas severas, para alguns membros da igreja de Corinto que causavam divisões e eram imorais e eles ficaram ofendidos. Ele tinha alguns inimigos poderosos, que estavam tentando destruir a sua reputação. Assim, o seu propósito essencial em escrever essa carta era de explicar o seu comportamento e defender a sua integridade como apóstolo. Trata-se de uma carta dura, mas ela foi escrita como uma tentativa de fazer as pazes com os detratores. Paulo se importava com esses cristãos. A maioria deles eram bons amigos e embora os tivesse confrontado, ele o fez em amor e com paciência. Seu objetivo era restaurar o relacionamento que havia sido afetado e, em alguns casos, quebrado.

A ideia principal de 2 Coríntios é que sua conduta, seu caráter e seu chamado de Deus como um apóstolo legitimava o seu ministério. A carta contém três partes. Nos capítulos 1–7, Paulo explica a sua conduta e seu ministério. Nos capítulos 8–9, ele encoraja os seus leitores a participarem generosamente na sua coleta de fundos para a igreja em Jerusalém. Nos capítulos 10–13, Paulo justifica o seu caráter e ministério, e eles contém alguns dos seus escritos mais íntimos e pessoalmente transparentes. A maior defesa de Paulo de sua legitimidade era a qualidade de sua vida. Se a sua vida tivesse entrado em conflito com a sua mensagem, ele teria posto a perder o seu argumento mais poderoso. A contribuição mais significativa que 2 Coríntios traz ao NT é a ideia que essa carta dá da vida pessoal de Paulo. Nós a usamos hoje como um modelo para resolução de assuntos interpessoais problemáticos.

IV. Gálatas

Gálatas provavelmente foi escrito em algum momento durante o ano de 50 d.C. para as igrejas que Paulo e Barnabé haviam plantado em sua primeira viagem missionária, no período de 48–50 d.C., e foi provavelmente escrito antes do Concílio de Jerusalém, em 50 d.C. Os Gálatas estavam abandonando a mensagem do evangelho que Paulo e Barnabé haviam pregado e estavam adotando uma mensagem que combinava fé e obras. Alguns mestres cristãos judaicos haviam vindo a essas igrejas gálatas, depois que Paulo e Barnabé haviam ido embora e ensinado que os gentios tinham que praticar as leis cerimoniais judaicas. (Essas pessoas eram chamadas de judaizantes.) Eles também acusaram Paulo de não ser um apóstolo legítimo, como forma de minimizar a autoridade de sua mensagem. Alguns dos crentes de Gálatas estavam adotando a mensagem judaizante.

O propósito da carta aos Gálatas era de combater esse ensinamento herético e chamar os Gálatas para permanecerem fiéis a Cristo. Consequentemente, ela contém uma apresentação poderosa e simples do evangelho. Ela explica claramente que a salvação é um presente gratuito de Deus, oferecido pela Sua graça. Um segundo propósito do livro era de explicar e defender o chamado apostólico de Paulo. Nos capítulos 1 e 2, ele apresenta evidências claras de que ele era um apóstolo legítimo.

A ideia central de Gálatas é que o evangelho da graça nos dá liberdade de crescer em Cristo. Esses novos crentes estavam preocupados com o mecanismo de como se tornar um cristão e isso os estava impedindo de crescer em sua fé. Consequentemente, o cristianismo não estava funcionando para eles e eles estavam considerando outra opção. Paulo destacou que o evangelho, compreendido e vivido de forma adequada, funciona; e se eles aplicassem o que Paulo estava ensinando, eles descobririam a sua verdade e poder para mudar as suas vidas. A mensagem do evangelho, quando seguida, produz o fruto espiritual de Deus.

O tom dos Gálatas indica que Paulo estava frustrado com os Gálatas e com o seu abandono do evangelho. Trata-se da mais impessoal e concisa das suas cartas e não traz as suas saudações iniciais. A carta está organizada em torno de três temas principais. Paulo defende o seu apostolado nos capítulos 1 e 2. Ele fornece uma explicação detalhada do evangelho nos capítulos 3 e 4; e nos capítulos 5 e 6, ele explica como o Espírito Santo usa o evangelho para transformar vidas e como os seus leitores devem andar nos ensinamentos e poder do Espírito.

Os cristãos de toda geração são tentados a recair em velhos hábitos, quando os novos demoram para se desenvolver. As questões de Paulo aos Gálatas são eternas: “Gostaria de saber apenas uma coisa: foi pela prática da Lei que vocês receberam o Espírito, ou pela fé naquilo que ouviram? Será que vocês são tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, querem agora se aperfeiçoar pelo esforço próprio?” (Gl 3:2-3 NVI).

Paulo conclui que eles foram convertidos a Cristo pelo poder do Espírito Santo, mas agora estavam tentando viver a vida cristã pelo poder de sua própria carne. Considere o contraste que ele fez no capítulo 5 entre os feitos destrutivos da carne, em 5:19–21, e o fruto construtivo do Espírito, em 5:22–23. Esse contraste deixa claro porque Paulo nos mandou viver “pelo Espírito, e de modo nenhum satisfarão os desejos da carne. Pois a carne deseja o que é contrário ao Espírito; e o Espírito, o que é contrário à carne. Eles estão em conflito um com o outro, de modo que vocês não fazem o que desejam” (Gl 5:16-17 NVI). Gálatas contribui para o ensinamento do NT, apresentando o evangelho da graça em uma linguagem clara, convincente. Nós o usamos hoje para apresentar o evangelho a descrentes que ainda não se entregaram a Cristo e ajudar os crentes a compreender como andar no poder do Espírito de Deus.

V. Efésios

Efésios é uma das quatro epístolas da prisão. De 62 até 64 d.C., enquanto estava sob a prisão domiciliar em Roma, Paulo escreveu cartas para as igrejas em Éfeso, Filipos e Colosso, e seu amigo, Filemon. Efésios não foi escrito para tratar de assuntos doutrinais ou comportamentais mas para instruir e encorajar uma igreja saudável para chegar mais longe na vida cristã. Seu propósito era de estimular os seus leitores para que andassem “de modo digno da vocação a que fostes chamados” (4.1). Paulo passou de forma muito rápida em Éfeso, no fim da sua segunda viagem missionária, em 52 d.C. Mas ele usou Éfeso como uma base de operações, por aproximadamente três anos, ao longo da sua terceira viagem missionária, e construiu fortes relacionamentos lá. Ele conhecia bem muitas daquelas pessoas, e podemos imaginar a sua sinceridade quando ele escreveu: “Paulo, apóstolo de Cristo Jesus por vontade de Deus, aos santos que vivem em Éfeso e fiéis em Cristo Jesus, graça a vós outros e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo” (Ef 1:1-2 ARA). À semelhança disso, imaginamos que quando os Efésios receberam a carta de Paulo, eles ficaram entusiasmados de ouvir notícias do seu mentor amado.

A ideia central de Efésios pode ser extraída da exortação de Paulo em 4:1-3 (ARA):

Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz.

Note que há dois infinitivos na passagem. Ele os exortou a “andar de modo digno da vocação” e a “preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz.” Assim, a ideia central de Efésios é que andamos de forma digna de nosso vocação quando andamos em unidade.

A carta tem dois momentos. Os capítulos 1–3 nos ensinam o que tornou possível a unidade. O capítulo 1 explica como nosso Deus santo estabeleceu uma unidade com a humanidade pecaminosa. No capítulo 2, ele nos conta que Deus tornou a unidade entre judeus e gentios possível na igreja. E no capítulo 3, Paulo expressou o quanto ele estava entusiasmado por ter sido escolhido por Deus para proclamar a Sua mensagem de paz e unidade. Depois, nos capítulos 4–6, Paulo explica como a unidade pode ser possível na igreja, em todos os relacionamentos humanos, em casa, no local de trabalho. Ele encerrou a carta contando-nos que a nossa batalha não é uns contra os outros, mas contra Satanás, nosso inimigo sinistro e poderoso. Assim, a menos que sejamos equipados com toda a armadura de Deus, nunca estaremos em condições de lutar contra os seus esforços de nos destruir. Como muitas das cartas de Paulo, a primeira parte (capítulos 1–3) apresenta uma fundamentação teológica, e a segunda (capítulos 4–6) ensina a aplicação prática dessa teologia.

Efésios contribui ao NT explicando como a unidade é crucial para a igreja. É importante hoje, porque providencia alguns dos nossos ensinamentos mais importantes de como a vida da igreja funciona e como podemos viver em unidade uns com os outros.

VI. Filipenses

Filipenses é a próxima epístola no NT. A igreja em Filipos foi a primeira igreja que Paulo plantou na Europa. Ele havia recebido a visão de um homem macedônio, pedindo-lhe para vir e ajudá-lo e Lucas registra que: “Assim que teve a visão, imediatamente, procuramos partir para aquele destino, concluindo que Deus nos havia chamado para lhes anunciar o evangelho” (At 16:10 ARA). A igreja filipense foi plantada em 50 d.C. na segunda viagem missionária de Paulo. Filipenses é uma nota de agradecimento estendida. Em 1:3–5 e 4:10–19, Paulo expressou a sua profunda apreciação para os seus amigos filipenses, por lhe terem dado apoio com suas orações e dinheiro. Seu propósito era de deixá-los saber como os suas doações e orações eram encorajadores e de agradecê-los por seu apoio.

Os filipenses sentiram um cuidado e preocupação profundos pelo seu mestre amado, e porque ele esteve na prisão, ele escreveu para lhes garantir que ele não estava apenas bem, mas próspero. Ele também os alertou quanto a falsos mestres e os encorajou a se manterem firmes em face da oposição e perseguição. Paulo obviamente tinha uma grande afeição pelos Filipenses, e eles por ele. A ideia central em Filipenses é “viver é Cristo.” O esboço é simples. Os capítulos 1 e 2 fornecem exemplos do viver cristão. Os capítulos 3 e 4 exortam o leitor a seguir aqueles exemplos. Filipenses faz uma enorme contribuição ao NT, porque ganhamos tantas ideias da vida e mente de Paulo. Quando o lemos hoje, somos exortados a uma vida cristã excelente.

Essas seis epístolas apresentam a mesma mensagem básica: as boas novas do evangelho são poderosas demais para serem ignoradas. Qualquer um que aceitar o presente da vida eterna de Jesus deve aceitar também o Seu convite para viver a vida abundante que Ele oferece.

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